Bush volta ao Brasil com vocalista que foi de galã grunge a papai de ‘goleirinho’

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Ao G1, Gavin Rossdale fala sobre ter público menor do que no auge: ‘Eu me importo mais com a qualidade, não com a quantidade. Não sou o McDonalds’. Gavin Rossdale, do Bush
Josh Telles/Bush
Gavin Rossdale é do tempo em que banda de rock vendia 20 milhões de discos. E não estamos falando de Nirvana, Pearl Jam ou Soundgarden… O assunto aqui, claro, é o Bush, da segunda (e menos impactante) leva do grunge, que unia rock alternativo, punk e metal.
Era mais ligado à cidade americana de Seattle, mas com filiais em outros lugares, como Londres. E San Diego, na Califórnia, de onde veio o Stone Temple Pilots, parceiro do Bush em shows em São Paulo, nesta quinta (14), no Rio e em Belo Horizonte.
Aos 53 anos, o vocalista da banda inglesa está cheio de graça. Os 20 minutos de papo por telefone com o G1 são suficientes para falar que quer comer feijoada, jogar futebol na praia e até perguntar se no Brasil quem é ruim de bola acaba jogando como goleiro.
“Meu filho quer jogar no gol. Todo mundo sabe que isso é coisa de perdedor, né?”, diz, inconsolável, pouco depois de agradecer por estar falando “com o maior site do mundo, pelo que me falaram”.
Mas o que dizer do setlist dos shows por aqui? “Não quero ser obscuro, sabe? Vou retribuir o carinho dos fãs daí… Eles amam a banda e vamos tocar o que querem ouvir. Tocar no Brasil é como um sonho… Eu toco em Ohio mais do que deveria.”
“The Chemicals Between Us”, “Everything Zen”, “Swallowed” e “Glycerine” estão garantidas. São os maiores sucessos da primeira fase do Bush, de 1992 a 2002.
A volta foi em 2010, com só um outro remanescente, o baterista Robin Goodridge. E uma quantidade menor de fãs.
“Eu me importo mais com a qualidade, não com a quantidade. Não sou o McDonalds. Eu não quero fazer um monte de hambúrgueres, prefiro servir algo gostoso para poucos.”
“Claro que quero tocar para o maior público possível. Mas sou realista.” Além da banda, Gavin foi jurado do “The Voice” britânico e ator de filmes para a TV.
“Geralmente a gente sai em turnê por uns quatro ou talvez cinco meses ao ano. Temos todo o resto do tempo para viver uma vida e… Espera, assim não dá para eu me concentrar.”
Ele volta ao telefone 30 segundos depois, explicando que era Apollo, seu filho de quatro anos.
“É meu filho, ele é muito bem educado e veio pedir permissão para algo aqui. O outro de 10 anos pediu para eu dizer ‘oi’ para você”.
É Zuma, de 10 anos, o tal goleirinho. Kingston, 12, completa o time de filhos que teve com Gwen Stefani, do No Doubt, com quem foi casado até 2016.
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E eles gostam da banda? “Sim… Vão em muitos shows. Menos o mais velho, sempre muito ocupado para mim. Tenho um que meio que trabalha pra mim, ajuda na iluminação dos shows com uma lanterna.”
O Brasil também deu a Gavin a chance de se aproximar de David Bowie, com quem esteve em curta turnê pela América do Sul, em 1997.
“É demais ter alguma relação com alguém tão incrível, engraçado, com uma diversidade cultural tão grande… Nunca pensei quando era mais novo que um dia pudesse ser amigo de alguém como ele.”
A lembrança do falecido cantor inglês traz mais nostalgia à conversa. Lá no auge do grunge, passou pela sua cabeça que aquele seria o último momento em que o rock seria realmente relevante?
“Não pensava nisso. Eu apenas pensava que eu era só mais um perdedor… Mas acabei descobrindo que não era tão perdedor assim.”
Mas do que mais tem saudade? “Sinto falta da indefinição, de um horizonte aberto de possibilidades.”
Mas já que o grunge não volta mais, Gavin é convidado a analisar o rock atual. “Eu ainda não consegui parar de ouvir System of a Down. Sempre serei fã.”
“Tudo o que o Jack White faz é incrível. Existem boas bandas de rock, mas gosto daquele velho ditado: “Existe música boa e música ruim”. Kendrick Lamar é bem melhor do que quase todas as bandas de rock hoje.”
Em Los Angeles, onde mora, ele se diz dividido entre família e o estúdio. “Estamos gravando um disco agora e estou cantando melhor do que em qualquer outro momento da minha vida. Me sinto ótimo.”
Também curte jogar de tênis e fazer ioga. “Também jogo um pouco de futebol, mas nunca como goleiro.”
Bush e Stone Temple Pilots no Brasil
São Paulo
Quando: Quinta (14)
Onde: Credicard Hall – Av. das Nações Unidas, 17955 – Vila Almeida
Ingressos: R$ 60 a R$ 600 pelo site Tickets For Fun
Rio de Janeiro
Quando: Sexta (15)
Onde: KM de Vantagem Hall – Av. Ayrton Senna, 3000 – Barra da Tijuca
Ingressos: R$ 130 a R$ 590 pelo site Tickets For Fun
Belo Horizonte
Quando: 17 de fevereiro, domingo
Onde: KM de Vantagem Hall – Av. Nossa Sra. do Carmo, 230 – Savassi
Ingressos: R$ 110 a R$ 400 pelo site Tickets For Fun