IEC confirma contaminação por caulim em igarapés de Barcarena, no Pará

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Segundo a nota técnica, os igarapés Curuperê e Dendê estavam com a água branca e turva, similar à coloração do caulim. Vistorias também encontraram peixes mortos. Segundo moradores, a água está mudando de cor há uma semana
Reprodução
O Instituto Evandro Chagas (IEC) confirmou, em nota técnica divulgada na tarde desta sexta-feira (15), a contaminação dos igarapés Curuperê e Dendê em Barcarena, nordeste do Pará. Segundo a nota, os locais estão sendo impactados por efluentes do processo de beneficiamento de caulim produzido pela empresa Imerys. As vistorias também registraram peixes mortos no igarapé do Dendê. O G1 entrou em contato com a Imerys e aguarda retorno.
Moradores da comunidade Vila dos Cabanos denunciaram, no dia 8 de março, um suposto vazamento de caulim, minério usado na produção de papel, no rio Dendê. Eles afirmam que o material foi despejado por uma tubulação da empresa Imerys.
Peixes mortos no igarapé Dendê.
Instituto Evandro Chagas
No dia da denúncia, a Imerys negou o vazamento ou ocorrências nas operações e disse que não havia relação entre as atividades da empresa e as imagens divulgadas.
De acordo com o IEC, os dois igarapés têm sido contaminados há pelo menos uma semana. Durante a vistorias, os técnicos constataram que a água dos riachos estava branca e turva, similar à coloração do caulim.
O IEC também identificou duas tubulações aparentes, uma em cada igarapé, ao lado da bacia de resíduos da Imerys de onde possivelmente ocorreu o vazamento.
Estudos prévios da Seção de Meio Ambiente (Saman) mostraram que esses efluentes são potencialmente perigosos e causam danos ao ecossistema aquático e à vida. O documento recomendou que, até que os eventos sejam esclarecidos, as comunidades próximas não devem usar as águas dos igarapés.
O IEC ainda alerta que medidas para a solução do problema devem ser tomadas em caráter de emergência já que igarapé é um dos poucos acessos à água potável, alimento e renda dessas comunidades. Os laudos finais das amostras recolhidas serão emitidos em até 30 dias.
Coloração esbranquiçada assustou moradores.
Instituto Evandro Chagas