Driblando preconceito, farmacêutica trans defende educação como caminho: ‘Competência gera respeito’

6

Formada em pedagogia, Jack Santos acabou abandonando as salas de aula. Casada e mãe de três filhos, encontrou na área de saúde um novo caminho. Formada em pedagogia, Jack Santos encontrou na área de saúde caminho para vencer preconceito
Aldo Carneiro/Pernambuco Press
O preconceito sofrido na sala de aula, quando lecionava para crianças, não permitiu que Jack Santos, de 36 anos, desistisse do sonho de ter uma carreira. Casada e mãe de três filhos, foi também em um ambiente escolar que se redescobriu como profissional. Em 2018, se formou na segunda graduação e, além de pedagoga, se torna a primeira farmacêutica transsexual de Pernambuco, segundo o Conselho Regional de Farmácia.
“Sei que competência gera respeito”, afirma Jack, que defende a educação como caminho para transexuais e travestis conseguirem superar os desafios da aceitação.
Os filhos, que tem entre 5 e 8 anos, e o marido a ajudaram a ter forças para lutar e enfrentar o preconceito. Formada em pedagogia, Jack dava aula para crianças em uma escola. Porém, reclamações dos responsáveis pelos alunos, que não a entendiam e criticavam a orientação sexual da professora, fez com que o contrato não fosse renovado, explica.
“As crianças me viam com amor, mas os pais sexualizavam tudo o que eu fazia”, recorda.
Jack Santos superou preconceitos e defende estudo como caminho para mulheres e homens trans
Aldo Carneiro/Pernambuco Press
Ao mesmo tempo, na farmácia em que também trabalhava, por ter curso técnico na área e em enfermagem, o cenário era diferente. “As pessoas me recebiam muito bem nos hospitais e eu sentia que deixava uma sementinha em cada lugar que passava”, diz.
Com a área da educação mais fechada, Jack resolveu focar o futuro profissional em uma nova graduação: farmácia. O preconceito sofrido não foi visto como novidade para Jack, que o enxerga como uma prova de fogo e, ao mesmo tempo, estímulo para atestar a própria capacidade.
“Na sala de aula ou no laboratório, sempre tive que mostrar minhas habilidades de forma mais enfática do que uma pessoa que não é trans. Por outro lado, sei que competência e experiência geram respeito”, afirma.
No mercado farmacêutico, Jack Santos encontrou acolhimento e definiu carreira profissional.
Aldo Carneiro/Pernambuco Press
Ainda nos estudos, “Atenção farmacêutica e cuidado a pessoas transgênero” foi o tema de seu trabalho de conclusão de curso, bandeira que levou para a vida profissional.
Efetivada em um hospital da cidade do Recife, Jack agora espera ver outras pessoas trans conseguirem realizar seus sonhos. “Chamo travestis e trans para estudar e que não tenham medo das pessoas recriminarem e jogarem pedra, literalmente. Não podemos desistir no meio do caminho, é possível ir adiante”, diz.
Após a formatura, Jack Santos foi efetivada e trabalha em um hospital da cidade do Recife.
Aldo Carneiro/Pernambuco Press