Pussy Riot diz que movimento pró-aborto da Argentina é ‘inspirador’

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Banda punk russa formada por ativistas está em turnê sul-americana que passa pelo Brasil. Nadezhda Tolokonnikova, do Pussy Riot, fala durante evento em Buenos Aires, na Argentina
Reuters/Agustin Marcarian
O grupo punk russo anti-Kremlin Pussy Riot se apresentou no domingo pela primeira vez na Argentina, onde declarou sua admiração pelo movimento local de luta pela igualdade de direitos para as mulheres e a legalização do aborto, estimulando-o a se organizar e não ter medo.
O Pussy Riot, um coletivo que se declara feminista e propaga um ativismo político radical que realiza protestos de grande repercussão midiática, já se apresentou no México, Peru e Uruguai.
Vai também tocar no Chile e no Brasil durante sua primeira turnê pela América Latina. O Pussy Riot passará pelo Abril Pro Rock (festival pernambucano, 19 de abril) e pelo Fabrique Club (dia 20), em São Paulo.      
“Este movimento me inspira, vocês são algo muito maior do que vi na minha vida e tenho certeza de que vão vencer”, disse Nadezhda Tolokonnikova, uma das fundadoras do grupo, em um bate-papo antes do show ao falar da exigência do aborto legal, seguro e gratuito. O tema desencadeou marchas de milhares, mas não resultou na aprovação da lei.
Pussy Riot faz show em Montevidéu, no Uruguai, durante turnê sul-americana que também passa por Argentina e Brasil
Reuters/Andres Stapff
Nadezhda, de 29 anos, foi uma das integrantes do grupo que participou de uma apresentação improvisada na Catedral do Cristo Salvador de Moscou em 2012 para protestar contra a eleição do presidente Vladimir Putin, por conta da qual passou quase dois anos presa junto a outras duas integrantes da banda, que costumam tocar vestidas com cores fortes e encapuzadas.
Elas cumpriram uma pena por vandalismo motivado por intolerância religiosa e foram libertadas em 2014, graças a uma anistia que Nadezhda disse ser uma farsa de Putin para melhorar a imagem da Rússia antes dos Jogos Olímpicos de Sochi.