Tavito sai de cena como compositor que propagou em canções o sonho hippie de paz & amor

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É inevitável associar primordialmente o nome de Luís Otávio de Melo Carvalho (26 de janeiro de 1948 – 26 de fevereiro de 2019) – o cantor, compositor e músico mineiro conhecido como Tavito – à coautoria da música Casa no campo (1971).
Composta pelo artista em parceria com Zé Rodrix, (1947 – 2009), essa canção foi lançada na voz de Rodrix em festival de 1971 e ganhou projeção nacional ao ser gravada no ano seguinte por Elis Regina (1942 – 1985), ajudando a impulsionar o álbum lançado pela cantora 1972.
Casa no campo traduz bem o ideal hippie de paz & amor que pautou não somente a música, mas também a vida de Tavito, artista que saiu hoje de cena, aos 71 anos, na cidade de São Paulo (SP), vítima de infecção decorrente de tratamento de câncer diagnosticado recentemente.
Nascido em Belo Horizonte (MG), Tavito migrou para a cidade do Rio de Janeiro (RJ) em 1968 e lá começou a concretizar esse sonho musical de paz & amor ao integrar o conjunto Som Imaginário no início dos anos 1970. Com som essencialmente instrumental, esse grupo acompanhou Milton Nascimento, sócio principal do Clube da Esquina.
Tavito também frequentou o clube e, como os demais colegas de geração, amou os Beatles e mixou a vivência mineira com o universo pop que se descortinou ao longo dos anos 1960. Não por acaso, o quarteto inglês era citado em um dos versos nostálgicos que compõem a letra de Rua ramalhete, parceria de Tavito com Ney Azambuja.
Capa do álbum ‘Tavito’, de 1979
Reprodução
Belo flash romântico de amor de juventude, Rua ramalhete integrou o melhor álbum solo do artista, Tavito (1979), lançado há 40 anos. A canção seria regravada pelo autor em Tudo (2009), álbum editado há dez anos.
O disco Tudo foi uma tentativa do artista de voltar ao mercado fonográfico que o desiludira nos anos 1980, quando Tavito passou a trabalhar prioritariamente no mercado publicitário, fazendo jingles marcantes como o que criou para um banco (“Vem pra Caixa você também”).
O último disco solo do artista, A casa no começo da rua (2016), foi lançado há três anos com compilação dos maiores sucessos de um compositor que criou músicas como Água e luz (Tavito e Ricardo Magno, 1984) – música-título de álbum lançado por Amelinha há 35 anos – e Começo, meio e fim (Tavito, Ney Azambuja e Paulo Sérgio Valle, 1979), canção do antológico álbum de 1979 popularizada pelo grupo Roupa Nova em 1991.
A passagem de Tavito pelo mundo terreno da música se encerra hoje. Mas ficam imortalizadas as canções deste compositor que sonhou um mundo melhor e o propagou através da deusa música.

Editoria de Arte / G1