Na hora do aperto: G1 explica como usar banheiros químicos sem risco nos blocos de Carnaval

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Biomédica cita pesquisa norte-americana: 1 hora após limpeza, banheiros públicos tinham 6,2 mil bactérias por cm². Infectologista diz que é preciso ter prudência e sempre higienizar as mãos. Banheiros químicos em bloco de Carnaval em Ribeirão Preto
Pedro Martins/G1
Curtir os blocos de Carnaval exige mais do que energia e disposição. O corpo tem que estar preparado para até seis horas seguidas de folia na rua. Mas, em algum momento, a vontade de ir ao banheiro vai ser inevitável. Na hora do aperto, você sabe como usar banheiros químicos sem colocar a saúde em risco?
“Sempre com muito cuidado. Encapo a privada com papel, sempre para me prevenir e não pegar uma doença, uma candidíase, esse tipo de coisa”, afirma a estudante de arquitetura Marina Parada, de 19 anos.
“Só se estiver muito apertada, muito mesmo. Nunca sento e só uso se estiver com a bexiga cheia. Se não, vou embora sem fazer xixi. Como nunca tem papel higiênico, nem entro”, diz a pedagoga Gabriele Oliveira, de 25 anos.
Segundo a biomédica e pesquisadora da Universidade de Franca (SP), Milena Cristina de Paula, as jovens tem razão em evitar o contato com as paredes e os assentos dos banheiros químicos, afirmando que esses locais são altamente contaminados.
Milena cita uma pesquisa realizada em quatro banheiros públicos na Universidade de San Diego, nos Estados Unidos: uma hora após a limpeza ter sido realizada, foram identificadas 6,2 mil bactérias por centímetro quadrado, sendo 45% delas de origem fecal.
Banheiro químico em bloco de Carnaval em Ribeirão Preto (SP)
Pedro Martins/G1
O estudo analisou materiais coletados nos assentos dos vasos sanitários, no chão em frente a eles e até nos dispensadores de sabonete – tudo havia sido lavado com água sanitária. O resultado foi publicado na revista da Sociedade Norte-Americana de Microbiologia.
“Os principais micro-organismos que foram encontrados são micrococcus, estafilococos, corynebacterium, streptococcus, escherichia coli, salmonella. Quando a pessoa está sadia, não fazem mal nenhum. Mas, se estiver com a resistência baixa, podem causar infecção”, explica.
Ainda segundo a biomédica, norovírus e enterovírus, que causam infecções no estômago e no intestino, também circulam em ambientes onde há grande concentração de pessoas. Dentro dos banheiros, onde é quente e úmido, o risco de contágio é ainda maior.
“Outra fonte de contaminação é deixar a tampa da privada aberta. Quando você dá a descarga, aquilo se transforma em um aerossol e contamina todo o banheiro. Por isso, se possível, fechar a tampa do sanitário é muito importante”, afirma.
Infectologista diz que papel higiênico de banheiros químicos podem ser usados se estiverem limpos e secos
Pedro Martins/G1
Sem alarde
Para o infectologista Fernando Bellissimo Rodrigues, professor associado da Faculdade de Medicina da USP em Ribeirão Preto (SP), os foliões podem – e devem sempre – usar banheiros químicos sem tanta preocupação, basta ter prudência.
Rodrigues destaca que os micro-organismos apontados na pesquisa norte-americana também são encontrados no organismo humano, em concentrações até superiores. O infectologista diz que mesmo o papel higiênico, se estiver limpo e seco, pode ser usado sem problema.
“Existe risco, mas não tão grande quanto o alarmado. Existe o risco de uma pessoa infectada por um organismo patogênico usar o banheiro e, ao evacuar ou urinar, contaminar a mão e depois a torneira, e outra pessoa usar a torneira, contaminar a mão e se contaminar”, diz.
Nesse sentido, Rodrigues reforça a importância de os foliões lavarem as mãos sempre após o uso do banheiro. Caso não seja possível, a assepsia pode ser feita com álcool em gel, que elimina 99,9% de germes e bactérias, segundo o médico.
Outra recomendação fundamental é nunca levar alimentos ou bebidas para dentro dos banheiros. Isso porque, há risco de os dejetos da fossa sanitária respingares e contaminares outras partes, como o assento e até a pia – alguns banheiros químicos contam com essa estrutura.
“Dá para curtir o Carnaval tranquilamente, sem muito medo, tendo uma boa higiene, carregando o álcool gel no bolso. Não vejo grande perigo, basta adotar medidas de higiene e sempre ter bom senso”, finaliza.
Foliões utilizam banheiro químico em bloco de Carnaval em Ribeirão Preto (SP)
Pedro Martins/G1
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