Recuperação completa da Petrobras deve acontecer em até 3 anos, diz presidente da estatal

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Apesar do lucro expressivo que interrompeu quatro anos de prejuízo, CEO disse que recuperação ainda não foi completa. Roberto Castelo Branco, presidente da Petrobras, concede entrevista nesta quinta-feira (28).
Daniel Silveira/G1
A Petrobras só vai poder ser considerada totalmente recuperada financeiramente dentro de um prazo de até quatro anos. Foi o que estimou o novo presidente da companhia, Roberto Castelo Branco, ao apresentar na tarde desta quinta-feira (28) o detalhamento do balanço financeiro da empresa ao longo de 2018.
Petrobras tem lucro de R$ 25,7 bilhões em 2018, após 4 anos de prejuízo
O balanço havia sido divulgado na véspera e apresentou um lucro recorde de R$ 25,779 bilhões, o maior desde 2011 e que interrompeu quatro anos seguidos de prejuízos. Em carta destinada ao mercado juntamente com os resultados financeiros, Castelo Branco destacou que apesar do resultado expressivo no campo positivo, a recuperação financeira da companhia ainda não foi concluída.
“Eu ficarei muito satisfeito quando nós tivermos uma alavancagem baixa comparada com os nossos custos e quando tivermos gerando lucro econômico. Uma empresa opera sem prejuízo desde que consiga recuperar os investimentos. Nós não chegamos a essa situação. Apresentamos lucro contábil, que é diferente do econômico”, disse o CEO ao ser questionado sobre o que é necessário para declarar a recuperação completa da estatal.
“Estimamos que é possível fazer isso em dois ou três anos”, disse Castelo Branco quando instigado a apresentar um prazo estimado para a recuperação plena da Petrobras.
Outro fator que o presidente destacou como indispensável para considerar plena a recuperação é a remuneração de acionistas. “Embora tenhamos pago dividendos,, na prática não estamos conseguindo cumprir com esse dever”, acrescentou. Mesmo diante do lucro alto em 2018, a Petrobras vai distribuir a remuneração aos acionistas dentro do mínimo exigido.
Recurso extra da Cessão Onerosa vai alavancar leilão
A divulgação de lucro recorde foi seguido pelo anúncio de que a Petrobras será remunerada pela União em decorrência da Cessão Onerosa. Nesta quinta-feira, o Conselho Nacional de Polílica Energética (CNPE) informou a conclusão do imbróglio, que se arrastava há quase nove anos, confirmando que a estatal é credora no caso. Além disso, definiu que o excedente daquela cessão será colocado em leilão no dia 28 de outubro.
O anúncio foi recebido com otimismo pela Petrobras. “Nós não contamos com esse recurso no nosso planejamento estratégico”, afirmou o presidente Roberto Castelo Branco .Segundo ele, o valor que será devolvido pela União será direcionado para participação no leilão do excedente. “Eu não sei quanto será recompensado para a companhia, nem qual será o nosso lance no leilão”, disse o CEO ao ser questionado sobre o montante que a empresa pretende investir no leilão.
A cessão onerosa foi assinada com a Petrobras em 2010, no processo de capitalização da companhia, e garantiu a ela o direito a explorar 5 bilhões de barris de petróleo sem licitação. Nessa modalidade de exploração, a Petrobras arca com todos os custos de exploração, e assume todos os riscos. A revisão no contrato, pendente desde então, pode implicar em perdas ou ganhos para a estatal ou para a União, dependendo de ajustes em variáveis, como reservas de petróleo e preços do barril.