Regiões Norte e Sul lideraram crescimento econômico no ano passado, mostra estudo

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Levantamento do banco Itaú aponta que as duas regiões cresceram quase 3% em 2018; Centro-Oeste ficou estagnado e teve o pior desempenho do país. A análise detalhada da atividade econômica do ano passado mostra que as regiões brasileiras enfrentaram um quadro econômico heterogêneo. Um levantamento realizado pelo banco Itaú mostra que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2018 foi mais acelerado no Norte e Sul, com alta de quase 3%, enquanto o Centro-Oeste ficou praticamente estagnado e obteve o pior desempenho do país.
As demais regiões, de acordo com o levantamento do Itaú, registraram um desempenho próximo ao do país: o Sudeste cresceu 1%, e o Nordeste avançou 1,2%. Nesta quinta-feira (28), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os dados oficiais, que mostram que a economia brasileira cresceu 1,1% no ano passado.
Com avanço de 2,7% no PIB, o resultado do Norte foi influenciado sobretudo pelo Pará. Em 2018, o Estado cresceu 3,1% e teve a melhor resultado da região, ainda se beneficiando pelo avanço da indústria extrativa. “Provavelmente houve uma influência da expansão dos projetos de mineração”, afirma o economista do banco Itaú e responsável pelo levantamento, Artur Passos.
No fim de 2016, a Vale inaugurou o projeto de minério de ferro S11D no Pará. Os investimentos totais anunciados chegaram a US$ 14,3 bilhões.
Projeto S11D, da Vale, em Canaã dos Carajás, Pará
Salviano Machado/ Vale
A região também teve a ajuda do Amazonas, que cresceu 2,7%. “Esse desempenho pode ser atribuído a alguns setores da Zona Franca de Manaus que tiveram uma expansão mais acelerada.”
Pelo levantamento, o crescimento de 2,5% do Sul teve como contribuição o bom desempenho da produção industrial nos três Estados. Houve crescimento de 5,5% na produção do Rio Grande do Sul, de 4% em Santa Catarina, e de 1,8% no Paraná.
Crescimento desigual
Rodrigo Sanches / Arte G1
Centro-Oeste na lanterna
O pior resultado econômico de 2018 foi apurado no Centro-Oeste, de acordo com o Itaú. A atividade ficou praticamente estável e a região apresentou um ligeiro crescimento econômico de 0,1%.
Há alguns fatores que explicam esse desempenho modesto. Primeiro, o Centro-Oeste foi a região que menos sentiu o impacto do auge da crise econômica, entre 2014 e 2016, e, portanto, há um espaço menor para uma recuperação como ocorre nas demais regiões. Segundo, a safra de grãos, sobretudo a de milho, foi mais fraca do que o esperado, o que traz um impacto para toda a atividade local.
“A safra menor diminui o impulso econômico do Centro-Oeste”, afirma Passos.
Safra de grãos mais fraca afeta desempenho do Centro-Oeste
Secom-MT/ Divulgação
ES lidera; Rio ainda em dificuldade
No recorte por Estados, o estudo revela que o Espírito Santo foi o que mais cresceu no ano passado, com alta de 4,8%. A economia estadual ainda se recupera dos estragos provocados pela recessão econômica – em 2016, o PIB despencou 7,8% – e pelo rompimento da barragem de Mariana há quase três anos, que afetou a atividade local.
“O Espírito Santo está com as finanças ajustadas. Isso também ajuda na atividade econômica”, afirma Passos. No ano passado, o Estado foi o único a receber a nota máxima do Tesouro Nacional em relação a sua capacidade de pagamento.
Por fim, os dados mostram que o Rio de Janeiro segue em dificuldade econômica. No ano passado, segundo o Itaú, o Estado cresceu apenas 0,2%, longe de compensar as recessões dos últimos anos. Em 2015, o PIB do Rio caiu 2,5% e, nos dois anos seguintes, perdeu 3,9% e 2,1%. “O Rio cresce pouco e ainda não dá sinais de recuperação”, diz Passos.
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