Coloração e mau cheiro em águas assustam moradores nos entornos da Hydro Alunorte, em Barcarena; veja vídeo

13

A Polícia Civil apura as denúncias. Amostras foram coletadas e devem ser analisadas. Hydro diz que vistorias comprovam que não houve vazamento na refinaria. Coloração de água assusta moradores dos entornos de refinaria em Barcarena, no Pará
Um vídeo gravado por moradores dos entornos da refinaria Hydro Alunorte, em Barcarena, mostra uma coloração alterada em águas que alagaram casas na comunidade Bom Futuro, localizada nos entornos da refinaria, após fortes chuvas. Veja acima. Segundo relatos, a água possuía um forte odor. A denúncia foi feita à Polícia Ambiental e ao Ministério Público Federal (MPF) e Ministério Público do Estado (MPPA), que iniciaram investigações.
A Hydro informou que vistorias feitas pelos Bombeiros e pela Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Econômico (Semade) de Barcarena, feitas logo depois das denúncias, comprovam que não houve vazamentos.
A Divisão Especializada em Meio Ambiente (Dema) da Polícia Civil iniciou uma investigação após denúncias na última terça-feira (26). Segundo a Polícia, há indícios de novos lançamentos irregulares de efluentes.
Um procedimento preliminar foi realizado na comunidade e contou com equipes do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves e Instituto Evandro Chagas. Os peritos coletaram amostras da água para serem analisados no decorrer das investigações. Os laudos devem apontar se houve contaminação.
O delegado Claudio Gomes, da Dema, informou que foi possível visualizar intensa coloração nas águas do local. “Chamou a atenção a coloração esverdeada das águas de um igarapé”.
Ainda na terça (26), os Bombeiros vistoriaram o Depósito de Resíduos Sólidos 1 (DRS1) da refinaria, a pedido do Ministério Público Federal e do Ministério Público do Estado (MPPA).
Caso Hydro
Nos dias 16 e 17 de fevereiro deste ano, resíduos de bauxita contaminada foram despejadas da Hydro Alunorte para o meio ambiente após fortes chuvas em Barcarena. Após uma vistoria com a presença da procuradoria do Ministério Público, foi identificado uma tubulação clandestina que saída da refinaria e despejava rejeitos que contaminaram o solo da floresta e rios das localidades próximas. Ainda foram encontradas outras duas tubulações ilegais que tinham a mesma finalidade.
O Instituto Evandro Chagas realizou coletas de solo e água nas comunidades que ficam ao redor da Hydro e após análise em laboratório foi constatado alteração nos elementos químicos presentes no solo, além da presença de metais pesados e cancerígenos como chumbo. A Hydro encomendou um estudo que refutou as análises do IEC e negou que houve contaminação.
A empresa recebeu sanções da Justiça que determinaram a redução de sua produção em 50% até a solução dos problemas apontados pelas autoridades fossem sanados. A empresa também foi multada em R$ 150 milhões por danos ao meios ambientes.
Caso Hydro no Pará
Infográfico: Alexandre Mauro e Igos Estrella / G1