Hozier volta com blues indie rock, seis anos após fazer sucesso com ‘Take me to church’; G1 ouviu

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Cantor irlandês louva nomes do jazz, folk e soul no álbum ‘Wasteland, Baby!’. De volta com seu segundo álbum, você possivelmente ouviu falar de Hozier quando ele estourou com “Take me to Church”. Lançada em 2013, foi a música mais ouvida em serviços de streaming do ano seguinte.
Após pausa na carreira, o cantor irlandês de 28 anos soltou novas músicas em setembro passado. Nesta sexta-feira, enfim, lança o disco “Wasteland, Baby!”.
Andrew Hozier-Byrne segue com letras complexas (para o pop atual), cantadas com sua voz tão grave quanto sensual. A quantidade de referências em cada letra de música é absurda. Dá até para entender por que demorou tanto para lançar este disco.
“Almost (Sweet Music)” tem menções à trilha de filme cult dos anos 40 e aos nomes de Chet Baker, Duke Ellington e de pelo menos três músicas de outros jazzistas.
Veja comentários sobre o novo disco de Hozier, com trecho de ‘Almost (Sweet Music)’
“Nina Cried Power”, que batizava seu EP do ano passado, também é cheia de referências a gente que fez a cabeça dele.
Nomes como os de Nina Simone, Marvin Gaye, B.B. King, John Lennon, James Brown, Bob Dylan Curtis Mayfield, Billie Holiday e muitos outros são louvados. Mavis Staples, cantora americana de 79 anos, também é citada e canta com Hozier.
Musicalmente, ele segue com o blues indie rock do primeiro álbum. A base de todo arranjo quase sempre é uma combinação bem blueseira de guitarra e voz.
Me leve (de novo) pra igreja
Mas tem um vernizinho de rock alternativo de festival (Lolla 2020 é logo ali). É uma cortesia do produtor britânico Marcus Dravs, já ouvido com Coldplay, Arcade Fire, Florence e Mumford & Sons.
Quando mais afastado do indie blues rock, o disco é enfeitado por palmas repetitivas (“Movement”) e corais de igreja (“Sunlight” e “To noise making”).
Nesses momentos em que a guitarra está em segundo ou terceiro plano, o talento de Hozier é soterrado em timbres de igreja.
Quando menos super-produzido, Hozier mostra força. É assim em “Would that I”, na faixa-título e em “Nobody”, talvez a melhor do disco, com a dose certíssima de cada elemento: do indie e blues ao soul e gospel.