Duofel se une a Carlos Malta e a Robertinho Silva em disco feito com a autonomia do jazz

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Quarteto toca Baden Powell, Edu Lobo e Tom Jobim no álbum ‘Duo+dois’ Em agosto de 2016, os violonistas Fernando Melo e Luiz Bueno, integrantes do Duofel, convidaram os músicos Carlos Malta (às nacional dos sopros) e Robertinho Silva (exímio baterista) para se juntar a eles em show apresentado na cidade de São Paulo (SP).
Nasceu ali, no segundo semestre de 2016, o projeto Duo+dois, cujo embrião tinha sido uma conexão anterior de Malta com o Duofel, conhecido pelo músico em show de Hermeto Pascoal.
Decorridos dois anos, os violonistas entraram com os dois colegas em agosto de 2018 no estúdio Gargolândia, em Alambari (SP), para gravar o álbum gerado a partir dessa iniciativa de virar um quarteto.
A gravação do disco – lançado pelo Selo Sesc neste mês de março de 2019 – celebra os 40 anos do Duofel, formado em 1978 pelo alagoano Fernando Melo com o paulistano Luiz Bueno.
Capa do álbum ‘Duo+dois’, do Duofel com Carlos Malta e Robertinho Silva
Divulgação
No álbum Duo+dois, os virtuosos toques dos violões do Duofel se harmonizam, com liberdade rítmica, com o sopro da flauta de Carlos Malta e com a batida precisa da percussão de Robertinho Silva no registro de 13 antológicas composições da música brasileira, dispostas nas 11 faixas do disco.
Cinco dessas 13 músicas são afro-sambas lançados nos 1960. O álbum Duo+dois abre com Canto de Iemanjá e fecha com Canto de Xangô, dois afro-sambas apresentados por Baden Powell (1937 – 2000) e Vinicius de Moraes (1913 – 1980) no histórico álbum de 1966 com que os compositores parceiros alicerçaram o gênero.
Entre um e outro afro-samba, o Duo+dois toca de forma heterodoxa temas de compositores como Antonio Carlos Jobim (1927 – 1994), Dorival Caymmi (1914 – 2008) e Edu Lobo. A arrojada recriação harmônica de Ponteio (Edu Lobo e Capinan, 1967) exemplifica o tom jazzístico de algumas abordagens do quarteto.
Carlos Malta (à esquerda), Duofel e Robertinho Silva (à direita)
Marco Flávio / Divulgação
Com o virtuosismo de quatro músicos que sabem recriar as criações alheias, o Duo+dois adentra Casa forte (Edu Lobo, 1969), preserva a delicadeza lírica de Dindi (Antonio Carlos Jobim e Aloysio de Oliveira, 1959), reinventa Cais (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1972) e cai com suingue próprio no samba Maracangalha (Dorival Caymmi, 1956), entre outras proezas feitas com a autonomia de quem sabe falar a língua do jazz.
Com esse quarteto fantástico, dois e dois são cinco porque nada soa com a razão e o rigor da matemática.

Editoria de Arte / G1