Acidente que derrubou parte de ponte no Pará foi inevitável, diz empresário que fazia manutenção da Alça-Viária

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Paulo Brígido de Oliveira disse à Polícia que colisões geralmente ocorrem nas partes inferiores das quatro pontes do complexo, mas a balsa colidiu com pilar, causando a queda. Empresário responsável pela manutenção das pontes da Alça Viária presta depoimento
A Polícia ouviu nesta segunda (15) o empresário Paulo Raimundo Brígido de Oliveira, responsável pela manutenção das quatro pontes da Alça Viária. Uma delas teve parte destruída no dia 6 de abri com a colisão de uma balsa no rio Moju, próximo à entrada do município de Acará, que fica a cerca de 60 km de Belém. A ponte faz parte do complexo Alça-Viária, importante por fazer a ligação entre Belém e cidades do interior do estado.
O empresário, segundo a Polícia, forneceu informações técnicas sobre o procedimento de manutenção e disse que o “acidente não tinha como ser evitado”.
“As pontes, infelizmente, não tinham as defensas para que haja a proteção, o que já está sendo providenciado. Apesar das frequentes batidas, que vem ocorrendo normalmente nas pontes, elas ocorrem nas partes inferiores, nas estacas, e nesse caso específico, houve o problema da balsa bater no pilar, o que causou a queda”, explicou Brígido.
ponte moju
Reprodução/Tv Liberal
De acordo com o delegado Aurélio Paiva, o inquérito está considerando diversos aspectos sobre a situação das pontes. “A gente está ouvindo o engenheiro para ter uma visão ampla e total, até a manutenção que vinha sendo feita”.
Ainda segundo o delegado, a Polícia ainda deve ouvir donos e funcionários das seis empresas que tiveram algum tipo de envolvimento no acidente, incluindo as responsáveis pela carga e pelas transações comerciais.
A Justiça determinou o bloqueio de R$185 milhões de seis empresas responsabilizadas pelo acidente. O Governo do Pará disse que deve utilizar o dinheiro para custear a oferta de balsas para travessia da população no rio Moju, para obras emergenciais e recuperação da ponte.
Segundo a Procuradoria-Geral do Estado, a carga, cerca de 1.800 toneladas de bucha de dendê, foi comercializada sem autorização pela empresa da Vale, Biopalma. A empresa negou, em nota, ser proprietária da balsa e ter contratado o serviço da mesma.
Integrantes da tripulação da balsa seriam ouvidos nesta segunda, no entanto o advogado solicitou o adiamento. O depoimento foi remarcado para esta terça (16).
“Todas essas pessoas têm relações com as notas fiscais relacionadas à mercadia, ao trânsito, o frete, a regularização das balsas, tudo isso será tratado no inquérito”, informou o delegado Paiva.
Até então, somente o comandante da balsa foi preso. Elielson Lopes Barbosa foi detido na última sexta e, no terceiro depoimento à Polícia, confessou que a embarcação ficou à deriva e foi arrastada pela correnteza até colidir com a ponte. Ele permanece na Central de Triagem Metropolitana de Ananindeua, na região metropolitana de Belém.
Segundo a Capitania dos Portos, a embarcação não tinha autorização para navegar.
Imagem aérea mostra como ficou a quarta ponte da Alça Viária sobre o Rio Moju, no Pará, após uma balsa colidir com a estrutura na noite de domingo (23). A embarcação, que transportava óleo, destruiu um dos pilares da construção a 120 km de Belém
Antônio Silva/Ag. Pará
Entenda
Nesta quinta-feira (11) a Justiça interditou mais de R$ 180 milhões em bens de seis empresas que estão sendo responsabilizadas pelo acidente, quando um trecho de 200 metros da ponte que possuía mais de 860 metros de cumprimento e 23 metros de altura, caiu após uma balsa colidir contra um dos pilares da estrutura.
De acordo com a Capitania dos Portos, com a batida, quatro pilares caíram. A Capitania interditou a área de navegação sob a ponte Moju-Alça, por apresentar riscos à navegação.
A ponte está localizada no quilômetro 48 da rodovia estadual PA-483 e liga a Região Metropolitana de Belém ao Nordeste do Estado do Pará.
Ponte cai no Pará
Igor Estrella/G1
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